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Giovana Carneiro

“É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez. Tudo que não invento é falso. Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira. Tem mais presença em mim o que me falta. Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário. Sou muito preparado de conflitos. Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou. O meu amanhecer vai ser de noite” - Manoel de Barros.

Por diversas vezes neste meu breve tempo imbuída pelo ofício “atriz” me perguntei e confesso que continuo e tenho a sensação ou uma intuição que grita forte de que continuarei perguntando sobre a presença no palco. 

Não tenho e não pretendo chegar a conclusões precipitadas ou se quer a alguma resposta concreta ou matemática sobre ela, a presença. 

Não tenho dúvidas do alcance humano e extracorporal que um acontecimento como a “presença” provoca a quem a experiencia, a quem a deixa ser afetado pelo presente, ágora. 

Ainda estudiosa e apoderada do Núcleo de Pesquisa da Presença me sinto na vontade e no dever de explorar meus eu’s e abrir outros sentidos aos outros eu’s que por aí se fazem presentes. Nasce “Presença - a eterna busca do efêmero” em 2019, iniciação científica orientada por Sônia Machado de Azevedo. Orientada, provocada, estimulada e observada. Todos verbos de ação que corroem qualquer negação de processo e abusam da excelência do encontro-presente. Creio firmemente que nas histórias todas ditas e vividas se fizeram relações ao ponto de uma iniciação não ser mais suficiente para abarcar toda vitalidade e desejo de pesquisa teórico-prática. Surge singelo e abstrato “Presença da Ausência” ao fim de 2019, antes do mundo se auto suspender em tempos sombrios e entrar em transes infinitos de pragas e doenças biológicas e sociais.

Não à toa fui datada de bruxa, profética ou qualquer outro nome para alguém que nomeou o projeto minutos antes de um tempo pandêmico, baseado nas ausências todas presentes. 

Três anos de núcleo presencial para cair em isolamento e entender que tudo, fio a fio, é tão solitário e frágil quanto o batimento do coração de um passarinho. 

Presença não me foge da essência do ser, não me causa dor exata ou felicidade extrema. Me é aqui e me causa agoras. Sendo ela palpável ou abstrata, surge como efeito de causas e acontecimentos, das tantas transas feitas no palco e das tantas dramaturgias vindas da platéia, a presença se auto concretiza sem precisar de conselho físico ou biológico. Acontece quando se tem desejo, quando se tem abertura e se faz visível quando arrepia, quando escorre pelos olhos, quando pesa na cadeira, quando, quando, quando…

Poderia aqui nomear pessoas, momentos e vidas outras que me causaram acontecimentos de presença pura, me deixando em transe e me levitando à um lugar meramente ilustrado por pesquisadores, estudiosos e outros grandes artistas. Porém, não há tempo que carregue uma explicação lógica e sensata para ela. Não há livro que concretize seu acontecimento. Não há estudo que faça jus ao que se sente quando ocorre.

Há tentativas de provocar e explicar imageticamente, sonoramente e outros “entes” que nos fazem aceitar que há algo muito além de ser teorizado. 

“Presença da Ausência” é esse pingo num mar de incertezas e delicadezas onde a presença pode ser casa, afeto e desejo dos que hoje estão presentes. De corpo ou de saudade.

SOBRE GIOVANA

Bacharela em artes cênicas pela Escola de Artes Célia Helena, metida a jovem-pesquisadora com interesse nos afetos sociais e presenças políticas do artista em cena. Comecei no teatro em 2017 no SESI em minha cidade (São José dos Campos) e desde então tenho desejo pelo teatro como caminho de dialética e revolução diária. 

Cursei dança contemporânea na Escola de Dança de São Paulo e em 2019 tive meu primeiro projeto “Presença da Ausência” aprovado pelo ProAc, projeto nascido do Núcleo orientado por Sônia Machado de Azevedo. 

Cozinheira, quase-poeta e atriz em plena giganteza. Tenho paixão declarada a Manoel de Barros, meu favorito, que sinceramente, resolve e reconstrói um país novo sem pedir licença, usa do seu espaço de inutilidade para inventar o desconhecido e assim tenho vontade de fazer com o teatro.

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PREENCHENDO O VAZIO

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ESSE ESPAÇO...

... aglomerado de ideias e preenchido pelo caos critativo. Registro de um Mestrado, da criação, do entendimento, da prática. Orienta os desavisados. Educa os familiares distantes. Alivia o peito dos inconformados. Celebra os grandes Mestres - os presentes e os ausentes. Os que se foram e os que ficaram. Os que são. Que inspiram. Que respiram arte.