Luisa Borsari
Bem-vindes a esta página do meu trajeto ser-artista. Agradeço a plena presença e espero que estejam todes bem vivos. Começamos pelo meu manifesto poético-sonoro do Núcleo da Presença.
A partir daqui, compartilho uma pesquisa intensamente aquosa realizada em meio aos encontros do nosso núcleo à deriva. Apresento-lhes Maria Sem Vergonha das Dores.
O objeto pesquisado foi a poesia que me curou.
Os mares que navegaram no meu corpo
e levaram as células malignas para longe.
E o que restou.
A pulsão da vida.
Uma porção de ideias e memórias.
A vontade de dizê-las.
Esculpir uma Maria Sem Vergonha das Dores dentro de mim, foi uma luta azul de se lutar.
Ela, a Maria, é muito mais forte do que eu. Quantas vezes ela sorria medos e gritava certezas,
enquanto eu chorava baixinho assustada. Cutucar as minhas mortes e vergonhas durante um ano foi
um processo árduo. Em alguns ensaios eu me impactava com as próprias palavras que eu mesma
tinha escrito e saltavam da minha boca. Mas ela. A Maria. Era um banho de convicção e
enfrentamento, e discursava vivências tão urgentes, que eu havia de emprestar a minha voz à ela.
O distanciamento. Por isso a artista, e não Luisa em cena. Para saber honrar a poesia. Para
entender que o propósito de ser espelho ao outro é maior do que as feridas abertas. Para lembrar que
é preciso insistir no sonho e construir imaginários possíveis. Para consolar meninas que nunca
puderam ser princesas, como eu. Para colorir carecas. Para responder as ignorâncias. Para gritar a
urgência da vida. Por isso a pausa, o respiro, o foco, o objetivo, a disponibilidade, a insistência, a
distância necessária. Ser mais forte do que eu, para servir à cena. Vestir a entidade que é, Maria.
SOBRE LUISA
Luisa Borsari é multiartista, poetisa e estudante do bacharelado em artes cênicas na Escola Superior de Artes Célia Helena. Pesquisadora do corpo no Núcleo de Pesquisa da Presença desde 2019. O seu maior trabalho foi como atriz, dramaturga e diretora no ato solo "Maria Sem Vergonha das Dores", fruto de uma pesquisa de Iniciação Científica orientada pela Sônia de Azevedo, onde estudou a poesia e a dança como ferramentas de cura. Este trabalho autobiográfico resultou em uma peça online composta por cenas ao vivo e seis ensaios em vídeo.
Residente em São Paulo, sua experiência no audiovisual é com o cinema documental experimental, participando de alguns curta-metragens como atriz e dramaturga. Tem atuação política no setor de cultura de um movimento social e no Centro Acadêmico Célia Helena. Começou no teatro estudando na Oficina dos Menestréis de 2015 à 2017. Este ano teve uma poesia publicada no livro "Sarau Brasil 2021: seleção poesia brasileira".
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ESSE ESPAÇO...
... aglomerado de ideias e preenchido pelo caos critativo. Registro de um Mestrado, da criação, do entendimento, da prática. Orienta os desavisados. Educa os familiares distantes. Alivia o peito dos inconformados. Celebra os grandes Mestres - os presentes e os ausentes. Os que se foram e os que ficaram. Os que são. Que inspiram. Que respiram arte.
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PREENCHENDO O VAZIO